As funções dessa proteína vão bem além de
manter a pele firme. Ela atua na prevenção de doenças como osteoartrite, que
incapacita muita gente de levar o dia a dia
por
Adriana Toledo | fotos Alex Silva
Estampado nos rótulos
de xampus, hidratantes e produtos alimentícios, ele figura no imaginário
popular como sinônimo de uma pele firme e de cabelos resistentes, devido às
suas propriedades de sustentação e elasticidade. Menos popular e mais vital,
porém, é a sua capacidade de fortalecer as cartilagens. "Essas estruturas
é que atenuam o atrito entre os ossos, evitando a osteoartrite, ou seja, a
inflamação das articulações, que ficam desgastadas especialmente nos quadris,
nas mãos, nos ombros e nos joelhos", esclarece a nutricionista Nadia
Brito, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de
São Paulo. "O quadro se acentua com o o envelhecimento e com o
sobrepeso", alerta.
A comida, diga-se, não entrega o colágeno de mão beijada. Mas as refeições
abrigam a matéria-prima para sua fabricação dentro das células cartilaginosas.
"Batizadas de condroblastos, essas unidades se valem dos aminoácidos
glicina, prolina e hidroxiprolina, partículas proteicas provenientes dos
alimentos de origem animal - como carnes vermelhas e ovos -, prontas para
formar moléculas maiores, os peptídeos", descreve, em detalhes, a
nutricionista Andrea Frias, coordenadora do Centro de Pesquisas Sanavita, em
São Paulo. "São esses peptídeos que dão origem às fibras colágenas, capazes
de amortecer o impacto articular com força comparável à de um fio de aço."
Acontece que, a partir dos 30 anos de idade, essa fábrica celular de colágeno
"desacelera cerca de 1% ao ano", como avisa Nadia. E a situação se
agrava para o time feminino após a menopausa. "Os ovários deixam de
liberar o hormônio estrogênio, que estimulava a síntese de colágeno a pleno
vapor", justifica Andrea. "Por isso, sua produção despenca, em média,
30% nos primeiros cinco anos dessa fase e, depois dela, uns 2% anualmente."
A boa notícia é que é possível evitar esse prejuízo com um cardápio que
compensa a lentidão do organismo para gerar quantidades adequadas de colágeno.
Embora seja difícil mensurar em cada proteína a quantidade exata da tríade de
aminoácidos formadores de colágeno, os especialistas garantem que incluir os
alimentos certos nas refeições garante o aporte dos 10 gramas diários de que o
organismo necessita. O pré-requisito inegociável você já conhece: a fonte
proteica precisa ser de origem animal. "Carnes vermelhas, frango, peito de
peru, peixes, ovos, queijo, leite e iogurte desnatado são as melhores
apostas", lista a nutricionista Alexandra Savino, do Hospital e
Maternidade São Luiz, em São Paulo. Pelo menos um desses itens deve constar nas
principais refeições do dia. "Um copo de leite e dois bifes grandes já são
capazes de contemplar a cota diária", garante Nadia.
Para assegurar que os aminoácidos ingeridos serão, de fato, convertidos em
reforço para a cartilagem, você pode dar uma ajuda extra ao corpo, consumindo
fontes de nutrientes que colaboram com sua absorção ou participam das reações
químicas que os transformam em peptídeos e, finalmente, em colágeno. "É o
caso das vitaminas A, C e E, presentes na cenoura, no pepino, na laranja, no
limão e na goiaba; do zinco, encontrado nos frutos do mar e na
castanha-do-pará; do selênio das nozes e do arroz preto; do silício da aveia,
da cevada e da alcachofra; e do cobre ofertado pelo fígado de boi e pelos
cogumelos", ensina Alexandra. As possibilidades são inúmeras e não custa
nada investir em um copo de limonada no almoço ou acrescentar um punhado de
castanhas no lanche da tarde.
Os supermercados ainda exibem produtos que prometem o chamado colágeno
hidrolisado em sua formulação. "Eles contêm os aminoácidos submetidos a um
processo enzimático químico que facilita sua incorporação pelo organismo",
explica Nadia. Vale dar crédito a eles, desde que com o cuidado de escolher uma
marca idônea e devidamente certificada.
O destino do nutriente O
colágeno também constitui o tendão de aquiles, a ponta do nariz, os ossos e a
conexão entre as costelas torácicas anteriores. "Os discos intervertebrais
e uma das camadas das artérias são, ainda, formados por um tipo especial dessa
proteína, chamado elastina", explica o cientista de alimentos Jaime
Farfan, da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Por fim, o
humor vítreo - substância ocular que preenche a área entre o cristalino e a
retina - e músculos que revestem órgãos como o intestino também contam com o
colágeno em sua composição.
Casais
perfeitos (ver slideshow)
Combinações à mesa que ajudam
na produção proteica
1. Peixe e rúcula O ferro
dos vegetais verde-escuros contribui com o processo de formação de colágeno.
Aposte em pescados com rúcula e agrião.
2. Bife e suco A
bebida feita com laranja e acerola fornece vitamina C, que também dá uma força
nesse processo. Ele pode acompanhar o bife do almoço.
3. Frango e tomate Para
que o consumo do frango resulte em uma fabricação de colágeno eficiente,
consuma-o com tomate-cereja, que provê o auxílio das vitaminas A e C.
4. Gelatina e companhia Contrariando
a crença popular, a sobremesa está longe de ser a melhor coadjuvante na
fabricação de colágeno. "A maioria das gelatinas contém uma quantidade
insignificante de proteína", desmitifica Andrea Frias. "A exceção são
os produtos com colágeno hidrolisado", ressalta Jaime Farfan. O mesmo vale
para geleias de mocotó e balas de colágeno.
Design Vanessa Kinoshita e Laura Salaberry |
produção Andrea Silva | produção culinária Silvia Marques | objetos M.
Dragoneti.
FONTE :
TRECHO RETIRADO DA REPORTAGEM
SITE -
saude.abril.com.br - por Adriana Toledo | fotos Alex Silva