terça-feira, 30 de outubro de 2012

Azeite e óleo de linhaça: uma dupla imbatível!


Rica em gorduras do bem, ela combate a obesidade, dá um chega pra lá no diabete e ainda livra o coração de entraves
por Thaís Manarini / design Ana Paula Megda / fotos Alex Silva
No universo da nutrição, algumas parcerias são conhecidas por sua sinergia. É o caso do azeite de oliva e do óleo de linhaça, como comprova um novo estudo do Laboratório de Sinalização Celular da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, no interior paulista. Segundo o trabalho, pequenas doses desses alimentos combinados reduzem o risco de obesidade e afastam o diabete do tipo 2.

Para comprovar a façanha, os pesquisadores, primeiro, ofereceram durante dois meses uma alimentação rica em gordura saturada — aquela encontrada em carnes gordas, sorvete, manteiga e em muitos outros produtos industrializados — a ratos e camundongos. "Esse modelo de dieta gerou uma inflamação no hipotálamo, região do cérebro que é responsável por controlar a necessidade de comer", conta Juliana Moraes, bióloga e autora do estudo. E o resultado de uma pane dessas é desastroso. Afinal, depois de uma bela pratada, o sinal de saciedade não é percebido e, assim, a comilança segue desenfreada. Nas cobaias, além de catapultar a obesidade, a situação abriu caminho para que o diabete se instalasse.

Diante disso, os cientistas se perguntaram: será que as gorduras insaturadas, como o ômega-3 do óleo de linhaça e o ômega-9 do azeite de oliva, seriam capazes de combater a famigerada inflamação e reverter o caos? Para chegar à resposta, Juliana e o nutricionista Dennys Cintra, seu parceiro no trabalho, estimularam os animais a consumir diferentes porções de ambos os óleos por outros dois meses.

Para preservar as gorduras boas do duo oleoso, evite usá-lo em frituras

"Estipulamos que 35% da alimentação total seria formada por gorduras. Então, dividimos os animais em três grupos e demos a cada um diferentes doses dos ômegas", descreve Juliana. No final, notou-se uma melhora no estado inflamatório do hipotálamo, permitindo que os roedores percebessem a sensação de barriga cheia. Como consequência, eles passaram a comer menos e, viva!, não acumularam quilos extras. Para a história ficar ainda mais apetitosa, houve diminuição nas taxas de açúcar correndo pelo sangue, provavelmente por um aumento da sensibilidade à insulina, o que favoreceu o controle do diabete.

E, para quem acha que é preciso se empanturrar de azeite e óleo de linhaça para obter os benefícios, um aviso: os melhores efeitos foram registrados na turma que ganhou pequenas porções, facilmente conquistadas no prato — uma única colher de sopa de cada óleo estaria de bom tamanho. A colherada, no entanto, escoou pela culatra no grupo que recebeu uma suplementação bem mais do que caprichada. "Apesar de benéficas, essas gorduras são bastante calóricas. Portanto, devem ser consumidas com moderação", informa Louise Saliba, professora de nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Ainda cabe ressaltar que a farinha da linhaça disponibiliza teores generosos de ômega-3 e, por isso, pode ser uma opção ao óleo da semente. "O correto é comprar os grãos e triturá-los em casa para garantir o total aproveitamento das gorduras do bem, que podem se perder durante o processo de industrialização do farelo", informa a nutricionista Camila Janielle, do Hotel-Escola
Senac, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Se não conseguir consumir todo o conteúdo de uma só vez, outro macete para preservar suas propriedades: "Armazene-o em um recipiente fechado dentro da geladeira", ensina Roberta Thys, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Coração blindado

Ninguém precisa esquentar a cabeça caso não seja possível usar os dois óleos juntinhos, no mesmo dia — o que até seria o ideal, mas... Individualmente, o duo também bate um bolão. Segundo um estudo recente do grupo EurOlive, formado por instituições de cinco países europeus, os polifenois do azeite de oliva ajudam a frear a oxidação do colesterol LDL, considerado perigoso. Quando isso ocorre, reduz-se o risco de placas de gordura na parede dos vasos, a temida aterosclerose — doença por trás de encrencas como o infarto. A conclusão veio à tona depois de os cientistas estimularem 200 homens a consumir o óleo dourado com diferentes concentrações de polifenois ao longo de três semanas.

É verdade que a dieta mediterrânea, da qual o azeite é um dos principais componentes, há tempos é reconhecida por sua incrível capacidade de proteger o coração. Só que o seu papel específico nessa empreitada não era consenso até agora. "Daí a importância dessa pesquisa. Trata-se de um bom pontapé inicial para esclarecer, de vez, as vantagens de incluir o azeite na dieta", avalia Heno Lopes, cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo, o Incor.

Segundo Louise Saliba, o óleo da azeitona ainda guarda outros trunfos. "Ele estimula a dilatação dos vasos sanguíneos e, assim, reduz a pressão arterial. Também resguarda o DNA contra danos oxidativos, evitando tumores", conta. A dica para usufruir de tanta benesse é regar saladas, arroz, vegetais cozidos, pães e torradas com 2 a 4 colheres de sopa do alimento por dia. "O ideal é usá-lo frio, já que o calor degrada, parcial ou totalmente, os compostos antioxidantes", avisa a nutricionista da PUC do Paraná. 

O médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Durval Ribas Filho, endossa a utilização do azeite para banhar o organismo de saúde, mas alerta: "Estamos ingerindo mais ômega-6 e ômega-9 e pouco ômega-3. E a desproporção pode trazer prejuízos". Ele lembra que uma investigação japonesa já mostrou um aumento no risco de câncer gástrico por causa do desequilíbrio. Para não cair na cilada, é só investir vez ou outra em peixes de água fria, como salmão e atum, e, é claro, na linhaça.
Efeito chapa-barriga
 
Consumida desde o antigo Egito, hoje a semente do linho é analisada a fundo em laboratórios no mundo inteiro. E não só em forma de óleo, como naquele estudo da Unicamp. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a estrela da vez é a farinha, usada no projeto de mestrado que a nutricionista Wânia Monteiro defenderá agora em março. A pesquisadora recrutou mulheres com grau de obesidade 2 com a finalidade de observar qual tipo de farinha — marrom, marrom desengordurada ou dourada — seria mais vantajoso. Para isso, as voluntárias 
receberam orientação nutricional e foram divididas em quatro grupos. Desse total, três ganharam 30 gramas de uma das versões, o correspondente a 4 colheres de sopa, para ingerir pela manhã. "A intenção era proporcionar saciedade para reduzir o tamanho dos pratos ao longo do dia", esclarece Wânia.

A balança deixou claro que, em dois meses, todo mundo emagreceu. Porém, na turma que abocanhou o farelo marrom os resultados foram mais expressivos: além de enxugarem cerca de 4 quilos, as voluntárias viram as taxas de massa gorda, circunferência da cintura, pressão arterial sistólica, colesterol total e triglicerídeos despencarem. A maior quantidade de fibras na linhaça escura é, ao que tudo indica, a responsável por tantas proezas. "Esse nutriente também é importante para acelerar o trânsito intestinal", lembra Claudia Cozer, endocrinologista e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Mas aqueles que preferem a linhaça dourada não precisam deixá-la no limbo. Afinal, ela também possui propriedades nutricionais e terapêuticas muito interessantes. Quando o quesito é a presença do famoso ômega-3, por exemplo, é ela quem sai ganhando. O mesmo ocorre em relação às lignanas. "Essas substâncias são muito semelhantes ao estrogênio, tanto por causa da estrutura química como pela função. Dessa forma, podem ser úteis para minimizar os sintomas da menopausa, período em que os níveis desse hormônio feminino sofrem uma queda natural", explica Roberta Thys, da UFRGS. Como se vê, tem benefícios para todos os gostos — e necessidades.
Tipos de azeite:
 Extravirgem
É obtido na primeira prensa das azeitonas, sem uso de calor nem produtos químicos. Portanto, abriga a maior parte dos compostos benéficos. Sem contar que é a versão menos ácida.

Virgem
Ele é produzido por meio da segunda prensa ou centrifugação. Depois, vem o processo de refinamento. Pelo caminho, perde parte das substâncias tão desejadas.

Com óleo de soja
A mistura resulta em um produto bem atraente para o bolso, mas nada interessante para a saúde. Afinal, é pobre nos compostos ativos que fazem a fama do azeite extravirgem.
 Aprenda a preservar o azeite e a usá-lo em uma receita fácil, fácil:
 - Escolha o produto armazenado em lata ou vidro escuro, que evitam perdas nutricionais;
- Guarde-o longe da luz e também do calor; 
- Depois de abri-lo, não leve muito tempo para consumir.
 A linhaça em três versões: 

Semente
A casca é durinha, então mastigue bem para chegar aos famosos compostos. Antes, asse a semente em fogo baixo por cerca de dez minutos para eliminar fatores antinutricionais, que prejudicam a absorção de outros nutrientes.

Farinha

Pode entrar no lugar da farinha de trigo em diversas receitas, além de ser misturada a leite, iogurtes e saladas. Por ser livre de glúten, é uma boa opção para celíacos.

Óleo

É bom substituto do azeite, só que o gosto é mais amargo. Não deve ir ao fogo, porque as gorduras benéficas são facilmente oxidadas. Quem está atrás das fibras da linhaça deve investir na semente ou na farinha.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ômega-3 blinda o peito contra a poluição

Ômega-3 blinda o peito contra a poluição
Evidências apontam que o nutriente impede o descompasso da frequência cardíaca e o aumento de colesterol, possíveis consequências do ar sujo das grandes cidades
por Thaís Manarini | design Laura Salaberry | ilustrações Nik Neves
Desde que se constatou que os esquimós e os povos orientais eram menos acometidos por doenças cardiovasculares, a gordura poliinsaturada ômega-3 - encontrada nos peixes marinhos consumidos regularmente por essas populações - virou alvo de uma infinidade de estudos. Chama a atenção, porém, uma das últimas pesquisas que avaliaram sua influência no coração. Tudo por causa de um elo curioso. Veja só: segundo cientistas da Agência de Proteção Ambiental da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, o óleo de peixe, fonte do nutriente, resguarda o órgão dos efeitos nefastos da poluição. 

Complicou? Vamos por partes. Quando inalados, os gases tóxicos, especialmente os liberados pelos carros, tendem a acelerar a frequência cardíaca. Com o coração funcionando em ritmo alucinado, sobe o risco de sofrer arritmia, quadro capaz de patrocinar uma síncope no músculo mais importante do corpo. Acontece que, na investigação americana, a situação ficou sob controle nos 16 voluntários que ingeriram cápsulas com 3 gramas de óleo de peixe diariamente, um mês antes da exposição aos poluentes. "Ao que tudo indica, o ômega-3 ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável por diminuir as batidas do coração", descreve a nutricionista Maria Fernanda Cury Boaventura, professora da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo. Então, garante-se o equilíbrio em relação ao sistema nervoso simpático, cuja função é oposta, ou seja, acelerar os batimentos. Cabe frisar que a mesma vantagem não foi observada nos 13 participantes que receberam óleo de oliva. 

Esse não foi o único dado contrastante entre as duas turmas. Enquanto os consumidores do óleo de peixe não apresentaram alterações nos níveis de lipídios sanguíneos, aqueles que ingeriram a cápsula recheada de azeite ficaram às voltas com um aumento de colesterol e triglicérides - o artigo americano sugere que essa elevação também seria resultado da fumaceira. "O excesso de lipídios no sangue decorre da ingestão inadequada de alimentos gordurosos ou de doenças. A poluição não é fator determinante nisso", contrapõe Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

O que se sabe é que, em excesso, o colesterol se deposita na parede das artérias. Essa situação, que já não é nada boa, fica pior quando os gases tóxicos são inalados. Isso porque eles estimulam a formação de radicais livres, substâncias perigosas que propiciam a oxidação dessa molécula. "Esse processo está associado à formação de placas", explica Ubiratan de Paula Santos, pneumologista do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo. Na prática, abre-se caminho para a temida aterosclerose. 

"Além disso, os poluentes estimulam a produção de mediadores inflamatórios que contraem os vasos", acrescenta o especialista. Esse cenário culmina na elevação da pressão arterial, um baita perigo principalmente para quem tem histórico de doença cardiovascular na família. A sorte é que, aí, o ômega-3 exerceria um papel protetor. "Os componentes ativos dessa gordura se incorporam nas membranas celulares e geram substâncias anti-inflamatórias", justifica a nutricionista Fernanda Serpa, diretora da Nutconsult, no Rio de Janeiro. 

Independentemente dos resultados obtidos na investigação americana, a nutricionista Regina Pereira, diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, acredita que é cedo para fazer uma ligação direta entre o consumo de ômega-3 e a redução dos danos causados pela poluição. "Precisamos aguardar a publicação de outros trabalhos que envolvam um número maior de pacientes", defende. 

Contudo, não se contesta a importância dessa gordura para a manutenção da saúde cardiovascular em geral. Tanto é que ela deve aparecer sempre na dieta. "A recomendação oficial é comer peixe duas vezes na semana", informa Lis Proença, nutricionista do InCor. No restante dos dias, basta usar 2 colheres de sopa de óleo de canola ou linhaça - boas fontes do nutriente - para finalizar os pratos. 

Seguindo a toada de deixar o coração firme e forte para, assim, enfrentar os compostos maléficos que pairam no ar, indica-se incluir no cardápio alimentos antioxidantes. "Ao neutralizar a ação dos poluentes, eles também impedem o surgimento das inflamações que ocorreriam no organismo", revela Fernanda Serpa. Na contramão, os itens abarrotados de gordura saturada, como carne vermelha, derivados do leite e maionese caseira, necessitam ser degustados com parcimônia. Afinal, esses são oponentes ferrenhos do peito. 

Agora, para não virar alvo fácil das substâncias tóxicas detectadas nos gases, é essencial reduzir o tempo de exposição ao ar impuro das metrópoles. "Não faça atividades físicas em grandes avenidas, principalmente nos horários em que o trânsito é intenso", exemplifica o cardiologista João Vicente da Silveira, do Hospital São Luiz, na capital paulista. Também troque o filtro do ar-condicionado do carro a cada seis meses para o interior dele não virar uma estufa de substâncias tóxicas. Mas, claro, isso não o impede de torcer para que o ômega-3 receba o título definitivo de inimigo da poluição. Quanto mais aliados, melhor. 

Onde está a gordura do bem? Há mais de uma versão de ômega-3 dando sopa por aí. As melhores são o EPA e o DHA, porque já vêm prontos para o corpo aproveitar. Elas estão na carne dos nadadores de águas frias e profundas, como salmão, sardinha e arenque, e nos óleos de peixe. Já as nozes e os óleos de linhaça e canola concentram ácido alfalinolênico, outro tipo de ômega-3, que é convertido em EPA e DHA dentro do organismo. 

Cuidados com a suplementação Antes de correr para a farmácia com o intuito de investir nas cápsulas de óleo de peixe, cheias de ômega-3, consulte um médico ou nutricionista. "O excesso da substância acarreta, sim, um aumento na produção de colesterol LDL, associado a doenças cardiovasculares", informa Lis Proença, nutricionista do InCor. "Por isso, a melhor recomendação é seguir uma dieta balanceada, variada e sem radicalismos." 

De garfo e faca contra a poluição
Uma porção de alimentos reúne moléculas de ação antioxidante. Elas ajudam a combater os perigosos radicais livres, que se formam em decorrência da exposição aos poluentes. Conheça algumas delas abaixo 

Vitamina E É encontrada no ovo, nos óleos vegetais e nas oleaginosas, a exemplo de nozes, avelã e castanhas. 

Vitamina C Frutas como goiaba, morango, acerola, laranja e limão são redutos desse nutriente. 

Zinco Ele está nas ostras, nas carnes e em cereais integrais, entre os quais se destacam o milho, a aveia e o centeio. 

Betacaroteno O fitoquímico aparece em belas doses no mamão, no damasco, na abóbora e na cenoura. 

Selênio O mineral marca presença na castanha-do-pará, na aveia, no arroz integral e nas carnes. 

Compostos fenólicos O gengibre, a cúrcuma e as frutas roxas e vermelho-escuras são ótimas fontes desses potentes antioxidantes.






terça-feira, 23 de outubro de 2012

Câncer
Vitaminas ajudam a prevenir câncer, diz estudo
Pesquisa realizada nos Estados Unidos com cerca de 15 mil homens mostrou uma diminuição de 8% na incidência de câncer entre os que ingeriram um comprimido por dia
A ingestão de suplementos vitamínicos, geralmente associada à prevenção de deficiências nutricionais, pode reduzir o aparecimento de câncer. É o que mostra um estudo americano que acompanhou cerca de 15.000 homens durante mais de dez anos, publicado nessa quarta-feira no periódico Journal of the American Medical Association (JAMA).
Os participantes, acima dos 50 anos de idade, foram divididos em dois grupos: um deles ingeriu um comprimido multivitamínico por dia, enquanto o outro tomou placebos. Após o período analisado, o grupo que ingeriu os suplementos vitamínicos apresentou uma quantidade de casos de câncer 8% menor do que outro. O câncer de próstata, porém, foi a única variação da doença que não teve a incidência reduzida pelo estudo.
De acordo com a pesquisa, a redução da incidência da doença apresentada no estudo mostra que uma combinação de vitaminas e sais minerais, como a contida no multivitamínico, pode ser de grande importância para a prevenção do câncer. "O papel de uma estratégia de prevenção de câncer focada na alimentação, como consumo de frutas e verduras, continua sendo promissor, mas ainda não é comprovado, dada a inconsistência das evidências", disseram os autores.
Mais importante que vitaminas —Para Artur Katz, chefe do serviço de oncologia clinica do Hospital Sírio Libanês, o estudo pode dar pistas para uma possível prevenção, mas apresenta alguns problemas. "É muito difícil em um estudo com 15.000 homens monitorar os efeitos de um único fator. Cada um tem um tipo de hábito, um peso, podem fumar ou não, é difícil anular tudo e avaliar apenas os efeitos das vitaminas", afirma.
Além disso, ele explica que uma pessoa bem nutrida extrai todas as vitaminas de que precisa de sua dieta, não existindo necessidade de ingerir suplementos vitamínicos. Kartz receia que, ao ingerir vitaminas, as pessoas deixem de prestar atenção a outros fatores essenciais para a prevenção do câncer. "Se alguém tiver que escolher uma única coisa para fazer,a mais importante é parar de fumar. Se já não fuma,  ela deve controlar o peso e fazer exercícios, que que é mais importante do que tomar vitaminas", diz o médico.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cross Country Aniversário Bike Fire - 30/09/2012


No dia 29 de setembro (domingo), em Santo Ângelo, aconteceu o Cross Country Aniversário Bike Fire em Santo Ângelo. Evento que reuniu ciclistas da região, em provas de cross country - modalidade de competição onde os ciclistas competem em uma pista demarcada, de longo percurso, em terrenos acidentados, com montanhas, trilhas e rochas, dando uma dificuldade extra aos praticantes.  
 Um grande evento apoiado pelo Tao Up!





terça-feira, 25 de setembro de 2012

Colesterol: de gota a Alzheimer!



Em excesso, ele não é inimigo apenas do coração. De panes nos neurônios a dolorosas inflamações no dedão do pé, achados recentes desvendam o que a substância pode causar pelo corpo.

por Theo Ruprecht | design Pilker | ilustrações Erika Onodera | animação André Moscatel


Embora esteja na boca do povo há décadas, com frequência duas grandes confusões são feitas a seu respeito. A primeira é chamá-lo de gordura, quando, na verdade, trata-se de um álcool complexo - detalhe químico mais complexo ainda. A segunda é que seu potencial nocivo se restringe ao sistema cardiovascular. "O colesterol circula por boa parte do organismo para formar membranas celulares, ácido biliar e hormônios", relata Eder Quintão, endocrinologista do Laboratório de Lípides da Universidade de São Paulo. Esse acesso quase irrestrito, apesar de essencial para inúmeras atividades, traz seus inconvenientes. Isso porque dá a possibilidade de ele, quando nas alturas, acarretar estragos em diversas regiões.



Após analisarem dados epidemiológicos que relacionam altos índices da partícula a demências, por exemplo, cientistas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, decidiram averiguar o que estaria por trás desse fenômeno. Valendo-se de equipamentos modernos, eles descobriram que o protagonista da reportagem está intimamente ligado ao surgimento das famigeradas proteínas beta-amiloides. "Essas moléculas danificam células nervosas, promovendo a doença de Alzheimer", ensina o bioquímico Charles Sanders, coordenador da pesquisa. 

"O trabalho americano nos ajuda a compreender o motivo pelo qual observamos um acúmulo de placas beta-amiloides ao colocarmos neurônios em um meio de cultura repleto de colesterol", enfatiza o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. "Mas ele não explica por que existe uma associação, principalmente em pacientes acima dos 75 anos, entre a doença de Alzheimer e problemas vasculares", contrapõe. 

Há, claro, quem acredite que esse vínculo seja resultado da idade avançada. Em outras palavras, indivíduos nessa faixa etária tenderiam a sofrer mais com ambos os transtornos simplesmente pelo fato de o corpo estar envelhecendo. Essa, entretanto, não é a única hipótese levantada pelos especialistas. "Taxas elevadas de colesterol provocam inflamações nos vasos, que, ao longo dos anos, também dificultam a passagem de sangue", ressalta Angelina Zanesco, fisiologista do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista, em Rio Claro. Se a artéria comprometida é uma que chega à massa cinzenta, as células nervosas deixam de ser abastecidas adequadamente com o líquido vermelho. Resultado: elas param de funcionar direito por falta de nutrientes, o que contribuiria para o extermínio das memórias. 

Outro mal que às vezes implica queima de arquivos mentais atende pelo nome de derrame isquêmico - o bloqueio por completo do fluxo sanguíneo acaba matando os neurônios, digamos, de fome. Em várias situações, a obstrução decorre do excesso de colesterol circulante. 

Quando o assunto é diabete, invariavelmente se fala em glicose. Mas adivinhe que outra molécula está envolvida com a enfermidade. "O excesso de colesterol no pâncreas atrapalha a fabricação de insulina, responsável por colocar o açúcar para dentro das células", revela Francisco Helfenstein Fonseca, cardiologista e coordenador do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo. E, com doses a menos desse hormônio na circulação, a glicemia sobe que nem foguete. Por outro lado, quando você tem bastante HDL, aquela espécie de faxineiro da circulação, a probabilidade de desenvolver ou agravar o quadro diminui. 

Nem as articulações estão a salvo da avalanche de colesterol. "Ele facilita o aparecimento de crises de gota", exemplifica Ricardo Fuller, chefe do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse distúrbio, caracterizado por inchaço e dores intensas nas juntas - principalmente no dedão do pé -, depende de processos inflamatórios para dar as caras. Ao que tudo indica, taxas expressivas da substância em questão auxiliam a alastrar esse incêndio. 

A artrite reumatoide, outro mal que ataca as juntas, propiciando incômodos, perda de movimento e deformações, também pode ser agravada por você já sabe quem. "Aliás, uma pesquisa deste ano verificou falhas na função do HDL de quem possui a doença", reforça Fuller. Mesmo assim, ainda faltam evidências sólidas de que o tratamento para controlar o colesterol beneficie pessoas com desordens reumatológicas. 

No futuro, a ciência deve oferecer uma resposta definitiva para essa dúvida. Outra pergunta é se a partícula abordada aqui seria o estopim para cânceres. "Segundo alguns estudos, o uso de estatinas, medicamentos que reduzem a concentração dessa molécula no sangue, previne tumores como o de próstata, mama e intestino", afirma Samuel Aguiar Júnior, cirurgião oncologista e diretor do Núcleo de Tumores Colorretais do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. "Só que esses trabalhos são poucos e ainda controversos", ressalva. 

Um vestígio extra desse possível elo é o de que levantamentos populacionais definem sujeitos com pouco LDL e muito HDL como mais protegidos contra o câncer. "Resta saber se o dado encontrado é consequência do colesterol ou se hábitos saudáveis, que regulam seus níveis ao mesmo tempo que trazem outras melhorias para o organismo, são os verdadeiros responsáveis pelos números encontrados", pondera Aguiar Júnior. 

O que doma o colesterol 

Quando descobrimos que grande parte dessa substância é manufaturada no fígado independentemente da alimentação, muita gente supõe que quase não adianta tomar cuidado com o que ingerimos. "Essa impressão não poderia estar mais equivocada", garante Raul von der Heyde, nutricionista da Universidade Federal do Paraná. "Por exemplo: o consumo de gorduras saturadas, presentes no óleo de dendê, em carnes e no leite, aumenta significativamente os índices de colesterol, sobretudo de LDL, na corrente sanguínea", argumenta o especialista. 

Se as gorduras saturadas culminam em mais LDL, as poli-insaturadas das nozes e do salmão fazem exatamente o contrário. "Mas elas, se ingeridas além da conta, infelizmente reduzem os níveis de HDL", lamenta Raul von der Heyde. Por isso, nada de abusar - o ideal é que elas componham não mais do que 10% do total de calorias do dia. 

Também aposte nas fibras solúveis. Junto com a água, elas formam um gel no intestino que impede o colesterol de ser absorvido. Para abastecer seus estoques do nutriente, invista em frutas como maçã, laranja e pera ou lance mão da aveia. Só não se esqueça de beber H2O. Caso contrário, os benefícios se esvaecem. 

Por mais que certos estudos vinculem o azeite de oliva e o abacate, fontes de gordura monoinsaturada, com mais HDL no sangue, não existe uma verdadeira comprovação de que isso ocorre. Se o objetivo é incrementar a concentração dessa aliada da saúde, a melhor estratégia atende pela alcunha de atividade física. "Os exercícios não apenas aumentam o número das moléculas como melhoram a qualidade delas", acrescenta Maria Teresa Zanella, presidente do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. 

Para obter a benesse, são necessários esforço e um pouco de paciência. "A intensidade precisa ser de moderada a alta. Após três meses de prática esportiva constante, as mudanças começam a surgir", informa a fisiologista Angelina Zanesco. Com o colesterol sob rédeas curtas, as memórias de uma vida livre de diabete, câncer e dores nas articulações têm tudo para ficar na sua cabeça.

http://saude.abril.com.br/edicoes/0352/medicina/colesterol-gota-alzheimer-693467.shtml

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Boa noite de sono afasta derrames


Dormir menos de seis horas por dia pode aumentar em até quatro vezes as chances de um acidente vascular cerebral
Pessoas que dormem menos de seis horas por noite correm um risco quatro vezes maior de sofrer um acidente vascular cerebral. Essa é a conclusão de um estudo feito pela universidade do Alabama, nos Estados unidos, depois de acompanhar mais de 5 mil pessoas durante três anos. "A privação de sono aumenta a pressão arterial, proporciona o ganho de peso, favorece o diabete e causa inflamações crônicas no corpo", conta o neurologista Fernando morgadinho, do Instituto do Sono, na capital paulista. "Esses fatores facilitam a obstrução dos vasos, o que pode resultar no derrame."

Por mais curioso que pareça, o grupo mais vulnerável foi o de adultos ativos e no peso ideal. Os resultados mostram que, para livrar o cérebro de complicações, uma noite bem-dormida — entre sete e oito horas — é tão importante quanto uma rotina ativa.

por Caroline Randmer | ilustrações Pedro Hamdan
Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0353/medicina/boa-noite-sono-afasta-derrames-697526.shtml

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Por que amamos tanto gordura!


por Theo Ruprecht 


Sejam doces ou salgados, alimentos engordurados nos atraem de forma quase incontrolável. Agora, esse desejo ganha atenção especial da ciência, que desvenda: ele não depende, nem de perto, só do paladar



Do ponto de vista evolutivo, o ser humano, assim como qualquer outro animal, tem duas missões primárias: sobreviver e preservar a própria espécie. Ambos os objetivos definem a maioria das ações que cada um toma, mas, curiosamente, quase não são lembrados no dia a dia. Então, o que motiva as pessoas a se relacionarem, fazerem sexo, comerem e realizarem qualquer outra atividade que, no fim das contas, ajuda a manter os homens na Terra? Para encurtar e simplificar a história, dá para dizer que a resposta é o prazer. O organismo reforça comportamentos considerados positivos transmitindo uma sensação de deleite.

Segundo descobertas recentes, uma das práticas que mais estimulam esse mecanismo de recompensa é a ingestão de lipídios. Um estudo inusitado da Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos, em conjunto com o Instituto Italiano de Tecnologia, aponta que, ao saborearmos um prato gorduroso, o próprio intestino produz endocanabinoides, substâncias primas do princípio ativo da maconha e que provocam bem-estar. "E isso não ocorreu quando as refeições eram à base de carboidrato ou de proteína", completa Daniele Piomelli, coordenador do trabalho.

Cardápios bem gordos, portanto, trariam um sentimento de satisfação único. "Isso justificaria a dificuldade em controlar o anseio por esses alimentos. O indivíduo buscaria sempre mais para se sentir bem", sugere Piomelli. Como se isso fosse pouco, os endocanabinoides ajudam a regular, no trato digestivo, o sistema de saciedade. Em altas quantidades, eles mantêm a fome por um tempo prolongado, o que culmina em excessos à mesa.

Ela sempre agradou, mas hoje está virando um vício

Outra substância que acarreta estímulos agradáveis é a dopamina. E — adivinhe! — esse neurotransmissor é fabricado pelos neurônios quando colocamos batatas fritas, pastéis e afins na boca. A dúvida que pairava no ar até pouco tempo atrás, no entanto, é se esse processo seria deflagrado apenas pelo sabor do banquete calórico.

Para esclarecer esse ponto, a biomédica Jozélia Ferreira e o neurocientista Ivan de Araújo, dois brasileiros da Universidade Yale, nos Estados Unidos, resolveram montar um experimento que tirasse o paladar de cena. Em outras palavras, eles administraram alimentos gordurosos diretamente no estômago de ratos. E, após o término da avaliação, observaram que as taxas de dopamina continuavam elevadas. "Mais do que isso, os animais passaram a apresentar um forte desejo por essas refeições", reforça Araújo. Logo, por mais que o sabor reforce essa atração, ela parece estar intimamente ligada à fisiologia do corpo inteiro.

Porém, você há de convir que um anseio exacerbado por menus tão engordativos é perigoso nos dias de hoje, em que os índices de obesidade crescem vertiginosamente. Assim, por qual razão o organismo acha a gordura um nutriente tão benéfico a ponto de desencadear reações agradáveis assim que ela é consumida?

"Há muitos anos, os homens passavam dias até encontrar a caça", lembra Paulo Jannuzzi Cunha, neuropsicólogo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Como obviamente não tinham geladeira, eles ingeriam a maior quantidade possível de comidas altamente calóricas, de modo a ter uma reserva para tempos difíceis", arremata.

Acontece que o ambiente em que vivemos mudou drasticamente. "Só para mencionar um exemplo, há aproximadamente 200 anos houve uma industrialização importante. A população começou a ter acesso mais fácil a produtos alimentícios e ainda deixou de se movimentar tanto como antes", relata o nutrólogo Celso Cukier, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Clínica. Até pela velocidade em que ocorreram, tais alterações na sociedade não foram acompanhadas por mutações biológicas. E, por ter se transformado em uma fonte de prazer fácil, a gordura infelizmente virou um vício para muitos.

"O indivíduo, como com qualquer droga, sabe que está causando prejuízos a si, mas continua com o hábito mesmo assim", compara Walmir Coutinho, endocrinologista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). "Quando perguntadas sobre o que comem, as pessoas em geral tendem a mentir sobre a quantidade de porções gordurosas ingeridas. É como se elas se sentissem culpadas com a própria atitude", exemplifica Coutinho.

Nem a mais, nem a menos. O caminho é a moderação

Essa verdadeira dependência, quando não controlada, cai em um círculo vicioso extremamente prejudicial — e, aliás, que se parece muito com o das drogas. "Sabe-se que, quando exposto a doses elevadas de dopamina, o organismo passa a ficar menos sensível a ela", ensina Adriano Segal, psiquiatra da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), em São Paulo. "Então, a exemplo de um viciado que busca cada vez maiores quantidades de cocaína para se sentir bem, será necessário ao longo do tempo mais e mais gordura para ativar o sistema de recompensa", conclui.

Isso, por sua vez, culminará em uma dieta repleta de petiscos e guloseimas altamente calóricos, o que provavelmente terminará em quilos de sobra e uma senhora barriga. E sempre vale reforçar: a obesidade é um importante fator de risco para inúmeras complicações, que vão desde doenças cardiovasculares até o temido câncer.

Contudo, há duas grandes diferenças entre o desejo irrefreável por um psicotrópico e o que está por trás do consumo exagerado de manteiga e torresmo. "As gorduras até causam excitação, mas não alucinações. E, diferentemente das drogas, é impossível cortá-las do cotidiano, porque todos precisam desse nutriente para viver", enumera Paulo Jannuzzi Cunha.

Por mais que o exagero seja danoso, os ácidos graxos, além de ótimas fontes de energia, constituem as membranas celulares e ajudam na produção de hormônios, só para citar duas funções. O jeito é consumi-los com moderação e por meio de fontes diversas. Isso porque existe mais de um tipo de gordura — e, com exceção da trans, os outros trazem benefícios ao corpo. "De 25% a 30% do total de calorias diárias deve vir dessas substâncias", estima a nutricionista Maria Gandini, da RG Nutri, na capital paulista. A princípio, esses números dão a impressão de que é possível almoçar só linguiça com maionese. "Mas, na realidade, uma colher de sopa de azeite, sozinha, fornece 100 calorias, o que representa um quarto do total a ser ingerido", calcula a nutricionista Maria.

Em suma, as escolhas no cardápio devem ser feitas de forma racional, especialmente quando o assunto é a gordura saturada (saiba quais as doses ideais de cada modalidade nos quadros acima). Se ela é engolida aos montes, a vontade por pratos que alavancam o sobrepeso aumenta. "A versão saturada, em excesso, causa uma inflamação no hipotálamo, região do cérebro responsável pela saciedade", alerta Marciane Milanski, nutricionista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. A reação dificulta o trabalho da leptina, substância liberada com o intuito de passar a mensagem de que é hora de parar com as garfadas. Essa resistência faz a gula dar as caras. E, cá entre nós, dificilmente alguém aplaca um apetite digno de jiboia com alface e tomate. Uma baita fome dessas só é aquietada com uma avalanche de comida.

Atenuar a fissura por gordura não é tarefa simples. "Quando deixa de ingeri-la em grandes quantidades, o obeso tende a ficar irritado e depressivo. Estamos falando de uma espécie de crise de abstinência", enfatiza Jannuzzi Cunha. Por isso, muita gente com essa dependência não gosta de ouvir que, para montar refeições saudáveis, basta ter força de vontade. Ela faz a diferença, mas o essencial é planejamento.

Quando for ao supermercado, leve sempre uma lista de compras junto — e se esforce ao máximo para segui-la. De preferência, elabore a relação de produtos a serem escolhidos na gôndola quando estiver sem fome. "Isso faz com que as decisões sejam racionais e sempre voltadas para o objetivo de comer corretamente", justifica o endocrinologista Walmir Coutinho.

Ao bolar esse inventário dos alimentos a serem adquiridos, não se esqueça das fibras, encontradas em frutas, leguminosas e na aveia. Primeiro porque promovem a sensação de saciedade. "Segundo porque diminuem a absorção do excesso de gorduras", complementa a nutricionista Marciane Milanski, da Unicamp.

Atualmente, os especialistas observam que estratégias para assegurar níveis ideais de dopamina e de outros neurotransmissores que trazem bem-estar também auxiliam a reconquistar o controle sobre o que entra no cardápio. É que elas funcionariam como substitutos de salames e companhia na busca por satisfação.

Uma das que comprovadamente desencadeiam esse efeito é a atividade física. "Ela mexe com o sistema de recompensa. O problema é que muitos pacientes não gostam de se exercitar e, quando forçados, ficam ainda mais nervosos", lamenta Adriano Segal. Aí, o tiro sai pela culatra — com a cabeça quente por causa da malhação, o indivíduo buscará conforto em uma porção de coxinhas, por exemplo.

A regra é investir em práticas que o agradem. Pode ser ouvir música e até ir ao cinema — sem o saco de pipoca, claro. No fim, todos os hobbies vão reabastecer o estoque de substâncias prazerosas, regulando a ânsia por gordura. Quem disse que, para se alimentar direito, é preciso sofrer?! Muito pelo contrário.

Um novo caminho contra a obesidade 

"A maioria dos medicamentos para controlar o excesso de peso age no sistema nervoso central, promovendo saciedade", explica o endocrinologista Walmir Coutinho, da PUC do Rio de Janeiro. Todavia, essas pílulas são alvo de críticas pelos possíveis efeitos colaterais que trazem — algumas, como as anfetaminas, podem gerar dependência e desencadear transtornos psiquiátricos. É até por isso que, na atual conjuntura, a descoberta de Daniele Piomelli sobre a ação de endocanabinoides no intestino se torna ainda mais essencial. "Nossos achados podem ser um passo importante para o desenvolvimento de remédios que não atuem diretamente no cérebro", acredita Piomelli.

Dependência gordurosa
Entenda como os ácidos graxos causam a maior fissura

1) Da cabeça para o corpo
Sensores específicos da língua, assim que a gordura entra na boca, mandam um sinal ao cérebro, que processa a informação. Em seguida, ele envia através do nervo vago a ordem para que o jejuno, parte do intestino delgado, produza endocanabinoides.

2) A viagem de volta
Essas substâncias se ligam, no próprio trato digestivo, a receptores especiais, chamados de CB1. Quando isso ocorre, um sinal — que os cientistas ainda não identificaram exatamente — chega à massa cinzenta. Resultado: bem-estar e mais apetite por alimentos gordurosos.

3) Altos e baixos
Certos neurônios fabricam dopamina no momento em que se consomem lipídios, promovendo um barato natural. Quando os índices da substância caem, essa sensação é dissipada. Aí, para se sentir como antes, a pessoa exagera no bacon, no sorvete cremoso, nas frituras...

As poli-insaturadas

Elas auxiliam no combate contra problemas cardíacos e inflamações. Das calorias diárias, 10% precisam vir dessa variedade — 1 filé de salmão, 1 colher de sopa de maionese industrializada e mais 1 de óleos vegetais garantem essa porcentagem. 

As monoinsaturadas
Outros 10% estão reservados para esse tipo, presente no azeite e em boa parcela das oleaginosas, a exemplo do amendoim. Cerca de 7 amêndoas e 4 castanhas de caju dão conta do recado e, segundo pesquisas, reduzem os níveis do LDL, o colesterol ruim.

As saturadas
Elas abastecem as células com energia. Isso, contudo, não justifica uma ingestão maior do que 7% das calorias diárias — se a margem é ultrapassada, o risco de artérias entupirem sobe. Um bife de contrafilé ou 4 pequenas fatias de bacon preenchem o requisito.

As trans
Hoje, estão praticamente banidas por gerarem doenças coronarianas. Mesmo assim, verifique o rótulo de produtos industrializados como os biscoitos. O certo é não colocá-la nas refeições. No máximo, limite-se a 1% das calorias diárias. Ou seja, uma bolinha de sorvete.

O que sabota a alimentação adequada

Todo mundo tem suas manias, como petiscar enquanto assiste a TV. Quem pretende controlar a vontade por devorar guloseimas deve ficar atento a esses hábitos. "No início, evitar se pôr em situações que o façam se lembrar de comidas calóricas é um passo importante", salienta o psiquiatra Adriano Segal. Não é que a pessoa está proibida de ver seu programa favorito — ela só vai ter que analisar cada prática do cotidiano para fazer eventuais ajustes, como tirar o salgadinho da despensa. Agora, em casos mais graves, será realmente necessário cortar determinados costumes. Afinal, almoçar em churrascarias ou lanchonetes dificilmente é sinal de uma refeição equilibrada.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Colágeno!


Colágeno: dose ideal para manter a pele firme só é possível com suplementos

Para obter os níveis com a alimentação, seria preciso comer três bifes por dia, diz nutricionista

O colágeno é uma proteína essencial para manter a saúde e a firmeza da pele, além de conferir forma, organização e propriedade mecânica aos tecidos dos ossos, cartilagens, córnea, ligamentos e tendões. A partir dos 40 anos, especialmente mulheres na fase da menopausa, passam a sofrer uma perda significativa de colágeno, e a reposição só é possível com ajuda de suplementos.

— Através da alimentação, a pessoa precisaria consumir em torno de três bifes por dia para obter cerca de 2g de colágeno, resultando em um consumo significativo de gordura saturada, o que poderia aumentar os níveis de colesterol ruim no organismo e os riscos de problemas cardíacos — explica a nutricionista Tatiana Barão.

Dois gramas por dia é o consumo de colágeno considerado ideal para a preservação da textura da pele. Para agir nas articulações, a dose diária recomendada é de 8 a 10 gramas por dia. Dessa forma, o suplemento puro de colágeno hidrolisado é a opção mais indicada para atingir os benefícios da proteína. A nutricionista reforça que a síntese do colágeno pelo organismo demanda vitaminas C e E, betacaroteno, piridoxina, biotina, ácido pantatênico e minerais como manganês, cobre, zinco, selênio, cromo e silício. Por isso, uma alimentação equilibrada e variada é indispensável.

O suplemento de colágeno hidrolisado é encontrado no mercado nas versões em pó ou em cápsulas. Ele é obtido pela hidrólise de moléculas grandes de colágeno extraídas de tecidos de animais, como boi, frango, peixes e suínos, e é de fácil absorção pelo intestino. A suplementação deve prescrita por um especialista.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

20 MOTIVOS PARA USAR DA LECITINA DE SOJA

1. AGENTE EMULSIONANTE DE GORDURAS
A lecitina é eficaz para diminuir a tensão superficial das soluções aquosas.
Isto significa que a lecitina é um eficaz agente emulsionante, capaz de dissolver os depósitos de colesterol em substâncias tais como o sangue. Isto deve-se a que uma parte da molécula é atraída por tais gorduras enquanto que a outra é pela água.
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2. MELHORA A ABSORÇÃO DE GORDURAS
A lecitina aumenta a digestabilidade e a absorção das gorduras devido a suas propriedades emulsionantes. Também favorece a absorção e utilização da vitamina A e do caroteno (o precursor da vitamina A obtido de um alimento sem carne). Incrementa o nível e o armazenamento da vitamina A no sangue.
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3. O METABOLISMO DAS GORDURAS
A lecitina favorece o metabolismo das gorduras. A enzima lecitina que se produz no corpo libera a colina, para exercer sua propriedade de evitar a acumulação de gordura no fígado. A colina pode transformar as gorduras ou evitar por algum outro mecanismo sua acumulação num órgão. A lecitina tem a propriedade de reforçar a ação da colina.
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4. CONTÉM AGENTES LIPOTRÓPICOS
A lecitina contém os agentes lipotrópicos necessários para metabolizar as gorduras. Contém colina e inositol (membros da família do complexo B), os quais atuam nos processos de metabolismo das gorduras.
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5. SAÚDE DA PELE
A lecitina de soja é útil para o tratamento dos problema da pele como psoríase, pele seca, eczema, esclerodermia, atrofia senil da pele, seborréia, acne e a formação de quelóides causada pela absorção de gorduras.
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6. AÇÃO FAVORÁVEL NOS CASOS DE DIABETES
A lecitina pode diminuir os requerimentos de insulina ao favorecer a absorção e o metabolismo dos açúcares e dos amidos no pâncreas.
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7. MELHOR DIGESTÃO
A lecitina favorece a absorção das gordutas e diminui a suscetibilidade em caso de esprue (absorção digestiva adequada de gorduras e hidratos de carbono) e diarréia.
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8. MELHOR FUNCIONAMENTO DO FÍGADO
A lecitina de soja ajuda a melhorar o metabolismo perturbado das gorduras, o que contribui por seu turno para resolver os problemas de mau funcionamento do fígado. O Dr. Chen diz: “a lecitina evita a acumulação das gorduras no fígado, favorece a absorção e a utilização da vitamina A e do caroteno e aumenta o nível no sangue de tal vitamina”.
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9. SAÚDE DOS RINS
A lecitina ajuda a corrigir as diferenças de colina e outros agentes lipotrópicos que possam causar a degeneração hemorrágica dos rins.
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10. LIMPEZA INTERNA
As substâncias lipotrópicas da lecitina de soja ajuda a eliminar opacidades (espessamentos incolores precursores dos depósitos de colesterol).
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11. SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE
A ação dos Fosfolipídeos atua sobre a prevenção da formação de obstruções trombóticas, de infartos do miocárdio e outras patologias.
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12. REDUÇÃO DO COLESTEROL
A lecitina pode reduzir o nível de colesterol no sangue. Também pode destruir as placas duras já acumuladas nas artérias (Geriatrics, janeiro 1958). Esta é a obra do ingrediente da lecitina chamado sitosterol ou esterol de soja.
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13. FACILITA A DESCOLORAÇÃO DA PELE
Em doses terapêuticas a lecitina contribuiu para aclarar e eventualmente apagar certas manchas marrons amareladas da pele assim como ao redor dos olhos, estas foram causadas pela acumulação de depósitos de gorduras que a lecitina pôde destruir, dissolver e eliminar do corpo. (The Low-Fat Way To Health an Longer Life). O caminho para a saúde e para uma vida mais longa mediante uma dieta de baixo conteúdo de gorduras, do Dr. Lester M. Morrison.
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14. ESTIMULA A RESISTÊNCIA ÀS INFECÇÕES
A lecitina aumenta o fornecimento de gamaglobulina à corrente sanguínea e isto favorece a imunidade contra as bactérias infecciosas (Dres. Meyer Friedman, Sanford Byers, Ray Rosenman e investigadores associados de San Francisco, segundo cita o Dr. Morrison no seu livro).
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15. REJUVENESCE A PELE
O envelhecimento da pele pode ser corrigido com quantidades controladas de lecitina. A lecitina também ajuda a corrigir vários tipos de manchas da pele, (Francis M. Pottenger, Transactions of the American Therapeutic Society, Vol. 43).
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16. CURA DE AFECÇÕES DA PELE
Com o uso da lecitina de soja, certos problemas da pele tais como o acne, o eczema e ainda a psoríase podem ser eliminados (New York Journal of Medicine, Nov. 15 1950).
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17. IMPORTANTE ESTIMULANTE DO CÉREBRO
O uso da lecitina é importante para ajudar a regenerar e reviver as célular cerebrais preguiçosas. No final de oito semanas pode-se regenerar a saúde do cérebro. Também se comprovou que em pessoas inestáveis, existe uma deficiência do conteúdo de lecitina no cérebro. (Raymond Bernard, The Secret of Rejuvenation).
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18. VIGOR SEXUAL
Segundo alguns relatórios médicos provenientes de países europeus o uso da lecitina corrige a debilidade sexual, o esgotamento glandular e os transtornos nervosos. Notou-se que o fluído masculino de reprodução contém grande quantidade de lecitina. Portanto, afirmam os investigadores, se seu conteúdo é deficiente, a capacidade sexual de virilidade diminuirá simultaneamente (Dr. Bernard, citado acima).

O Dr. Chen diz, em Heart Disease (doenças do coração) que a testosterona, a hormona sexual masculina, prepara-se a partir do sitosterol; “a hormona promove o crescimento e normal funcionamento dos órgãos sexuais masculinos acessórios e o desenvolvimento das características sexuais masculinas secundárias”.
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19. AJUDA ESPECIAL PARA AS MULHERES
De acordo com o Dr. Chen, o sitosterol ou esterol de soja que se encontra na lecitina, previne o aborto espontâneo na mulher grávida e as dores menstruais excessivas na mulher que não está grávida.
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20. USO NA ARTRITE REUMATÓIDE
A cortisona usada com freqüencia para acalmar as dores produzidas pela artrite reumatóide obtém-se a partir dos esteróis dos feijões de soja. Estes são alguns dos inúmeros relatórios que se publicam regularmente sobre as propriedades da lecitina como fonte de juventude.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Lecitina de Soja

As vantagens da lecitina de soja
Foto de lecitina de soja
Você já ouviu falar nos benefícios da soja e como hoje existem diversos produtos à base de soja como leite, carne.

Mas hoje vamos falar  sobre as vantagens da lecitina de soja, que muitos já ouviram falar mas que não têm idéia das maravilhas que pode fazer para combater o colesterol ruim entre outras coisas.


Colina: “A Mais Nova Vitamina”. Embora os cientistas de nutrição conheçam a Colina há anos, somente hoje os pesquisadores estão entendendo o quanto essa vitamina é essencial. A colina tem sido chamada “a mais nova vitamina”. A Academia Nacional de Ciências (NAS), dos EUA, a reconheceu como um nutriente essencial em 1998. É o único componente dietético na categoria de vitamina a ser reconhecido como tal. A NAS recomenda que os homens consumam 550 mg por dia, e as mulheres, 425 mg. A colina pode afetar positivamente o desenvolvimento cerebral – incluindo a memória por toda a vida – saúde cardiovascular, função hepática e desenvolvimento reprodutivo.

Poder Mental.
A lecitina pode ajudar você a parar de perder as chaves do carro? Pesquisas científicas têm demonstrado que a lecitina e colina podem melhorar a memória, especialmente a perda moderada de memória associada com o envelhecimento. A lecitina e outros compostos contendo colina podem incrementar a memória em adultos normais, especialmente os indivíduos com função relativamente fraca de memória. A lecitina pode ajudar a reduzir os “momentos de perda temporária de memória” mediante alimentos fortificados com colina.

Ajuda o Coração. Como a doença cardíaca é a principal causa de mortes de homens e mulheres, a lecitina é outra maneira da natureza nos ajudar a manter nosso coração saudável. A lecitina tem vários papéis na saúde cardíaca, incluindo a redução dos níveis de colesterol total e LDL. A colina fornecida pela lecitina pode ajudar a reduzir altos níveis de homocisteína no sangue – que podem estar associados a danos nas artérias.

Saúde do Fígado. Os cientistas sabem há algum tempo que a lecitina e colina são essenciais para a função e saúde hepática. Até mesmo algumas semanas com uma dieta deficiente em colina resulta em um fígado gordo, que pode levar a cirrose e/ou câncer do fígado. Além de fornecer colina, a lecitina também parece proteger diretamente o fígado contra a cirrose decorrente do consumo excessivo de álcool.

Desenvolvimento fetal e infantil.
A colina é considerada importante no desenvolvimento cerebral e mental do feto e da criança. No desenvolvimento fetal, a colina é transportada favoravelmente através da placenta, da corrente sangüínea da mãe para o feto, em uma proporção de 1:14. Da mesma forma, a concentração de colina no leite materno é 100 vezes maior que o nível na corrente sangüínea da mãe. Por essas razões, é recomendado um nível de ingestão mais alto para mulheres grávidas ou em lactação.

Por
que é importante a fortificação por Colina? A natureza incluiu altos níveis de colina em pouquíssimos alimentos. Muitos desses alimentos também têm alto teor de colesterol e gordura saturada – elementos dietéticos que os especialistas em saúde recomendam evitar. Embora o organismo possa sintetizar alguma colina, as pesquisas mostram que as pessoas não podem produzir toda a colina de que necessitam. Portanto, é essencial que você obtenha colina na sua dieta. Os especialistas em saúde acreditam que as dietas de muitas pessoas atualmente podem não estar fornecendo uma quantidade suficiente de colina. Uma razão para isso pode ser que os indivíduos estejam consumindo menos da maioria dos alimentos naturalmente ricos em colina à medida que reduzem a gordura e colesterol na dieta. Alimentos fortificados, como barras de cereais e bebidas, pães, e iogurtes com lecitinas ricas em colina, ajudarão a aumentar a ingestão total de colina dos indivíduos, ao mesmo tempo em que propiciem aos consumidores os benefícios de uma dieta mais saudável.


Fonte: – solae.com.br/soylecithin
Imagem: www.faep.com.br/boletim/bi969/bi969pag03.htm
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